Pecado Herdado

AS CONSEQUÊNCIAS DO PECADO – NATUREZA HUMANA HERDADA E CORROMPIDA

Pr. José Barbosa de Sena Neto

Meus amados:
Graça e Paz!

Iniciamos o nosso bate-papo, há dias, em singelas traçadas linhas, falando do processo da salvação em três etapas. Hoje, vamos um pouco mais adiante.

O ser humano caiu em pecado, e por consequência disso atraiu sobre si uma situação de corrupção e morte, o que os teólogos chamam de depravação total. É precioso recapitular a doutrina do pecado entendendo o que é o pecado e suas consequências, para que possamos ter uma visão ampla a fim de que compreendamos de onde é que Deus nos tira ao nos dar a vida eterna! Sempre é bom recapitular. Alguém já disse, com grande propriedade, que “recordar é viver”!

Só apreciaremos a obra da salvação em sua inteireza se conhecermos a verdadeira situação do ser humano no pecado. Então, como lhes sugeri, ajeitem-se em sua confortável cadeira e peque a sua velha e já tão rabiscada Bíblia Sagrada, assim espero, porque iremos usá-la bastante, diante de alguns detalhes que iremos recapitular, e, se possível, pegue uma boa caneta e vá assinalando com ela os versículos aqui citados, para que mais tarde numa situação bem especial, você possa usar estas passagens com maior facilidade para o seu uso habitual das Sagradas Escrituras. É assim que eu faço.

Se você pensa que iremos comentar ou recapitular alguns assuntos sobre o processo da salvação com profunda linguagem teológica com os academicismos complicado dos teólogos, lamento a frustração que você terá! Aqui nestes simples rabiscos você encontrará uma palavra quase coloquial, muito simples, pois o Evangelho é muito simples, nós é que o complicamos. Esta é a nossa modesta pretensão: recapitular aquilo que nós já sabemos!

O que é o pecado?

Negativamente pecado é a falta de justiça ou de conformidade do ser humano para com a lei de Deus, e, positivamente, é a quebra desta lei. João diz: “E a si mesmo se purifica todo o que nele tem esta esperança, assim como ele é puro. Todo aquele que pratica o pecado também transgride a lei, porque o pecado é a transgressão da lei” (I João 3. 3-4), a prática da iniquidade, conforme o próprio Senhor Jesus disse: “apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade” (Mateus 7.23).

O Dr. Wayne Grudem, em sua “Teologia Sistemática” pag. 403 diz: “Pecado é deixar de se conformar com a lei moral de Deus, seja em ato, em atitude, seja em natureza. (…) Inclui não só atos individuais, como roubar, mentir ou cometer homicídios, mas também atitudes contrárias àquilo que Deus exige de nós. (…) A definição… que o pecado de se conformar à lei moral de Deus não só em atos e em atitudes, mas também em natureza moral. Nossa própria natureza, o caráter íntimo que é a essência daquilo que somos, pode também ser pecaminosa. Antes que fôssemos remidos por Cristo, não só cometíamos atos pecaminosos e tínhamos atitudes pecaminosas, mas também éramos pecadores por natureza” . Assim, todo afastamento da lei divina é pecado.

Referimo-nos aqui não às leis de sacrifícios, às cerimônias do Antigo Testamento, pois foram abolidas por Cristo na cruz. Paulo diz: “Porque o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê”. (Romanos 10.4) E mais: “E a vós outros, que estáveis morros pela vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos nossos delitos; tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz”. (Colossenses 2.13-14). Referimo-nos às leis morais e preceitos universais dados por Deus para a humanidade, sendo esse afastamento pelo estado ou condição da pessoa (natureza pecaminosa), ou por ações atuais (pecados diários).

Afinal de contas, de onde veio o pecado? Como ele penetrou no universo? Dr. Grudem diz: ”Precisamos afirmar claramente que Deus não pecou e não deve ser culpado pelo pecado…. Foi o homem que pecou, os anjos quem pecaram, e nos dois casos o fizeram contra o caráter de Deus” (Idem, pag. 404). “Culpar a Deus pelo pecado seria O pecado encontra sua origem não na Terra, mas no mundo espiritual. Antes do pecado humano encontramos um ser chamado Satanás, em quem o mal já estava alojado, ele introduziu o erra na Terra”, continua afirmando Grudem.

A origem do pecado

Seria errado assegurar em nossos corações que há uma força no universo, um poder maligno que existe eternamente se digladiando semelhantemente ou igual ao próprio poder de Deus. A isso chamamos de ‘dualismo’ supremo no universo, que é a existência de dois poderes igualmente supremos e antagônicos, um bom e outro mau.

Mesmo antes da desobediência de Adão e Eva, que chamamos de Queda, o pecado se fez presente no mundo angelical com a queda de Satanás e dos demônios, no entanto, o primeiro pecado foi o de Adão e Eva no Jardim do Éden, conforme nos narra Gênesis 3.1-19.

O pecado encontra sua origem não na Terra, mas no mundo espiritual. Antes do pecado humano encontramos um ser chamado Satanás, em quem o mal estava alojado, ele introduziu o erro na Terra. Não se sabe quando, mas deve ter havido uma rebelião no mundo espiritual na qual muitos anjos se voltaram contra Deus. Estes anjos têm hoje sua atividade limitada, mas, mesmo assim, uma forte influência no nosso mundo. “Ora, se Deus não poupou anjos quando pecaram, antes, precipitando-os no inferno, os entregou a abismos de trevas, reservando-os para juízos” (II Pedro 2.4). “E a anjos, os que não guardaram o seu estado original, mas abandonaram o seu próprio domicílio, ele tem guardado sob trevas, em algemas eternas, para o juízo do grande Dia” (Judas v6). Como o pecado chegou até estes seres é um mistério não revelado (Deuteronômio 29.29) por mais que se tente achar textos na Bíblia Sagrada, é apenas conjecturas de nossa parte.

Devemos salientar que mesmo não sabendo a origem do mal, devemos entender que o mal não é um “deus” rival do bem, algo que sempre existiu, porque Deus fez tudo primariamente bom. “Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom” (Gênesis 1.31). O mal é muito mais uma distorção do bem original que Deus criou. Todas as coisas, em seu estado original primário de neutralidade são boas, o uso que se faz das mesmas é que as torna, muitas vezes, más.

O ser humano no pecado.

O Diabo, “a antiga serpente” (Apocalipse 20.2), levou os primeiros seres humanos à prática do erro. Esse primeiro pecado do gênero humano que nós chamamos de Queda envolveu completamente o primeiro casal e teve drásticas consequências. “E o Senhor Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gênesis 2.16-17). Ver, também, Gênesis 3.1-24). Vejamos os aspectos atingidos pelo primeiro pecado:

a – Psicológico – “Abriram-se, então, os olhos de ambos; e, percebendo que estavam nus, coseram folhas de figueira e fizeram cintas para si” (Gênesis 3.7) Romperam-se os relacionamentos psicológicos, ou seja, do ser humano consigo mesmo. Diz-nos o relato de Gênesis 3 que após o pecado apareceu a vergonha. Segundo o Aurélio, vergonha é o “sentimento de insegurança provocado pelo medo do ridículo”. O Houaiss diz quase a mesma coisa: vergonha é o “sentimento de insegurança causado por medo do ridículo e do julgamento dos outros”. É quando a pessoa fica insegura, não estando mais à vontade consigo, acha que tem algo errado em si. O primeiro casal perde a segurança de antes quando “estavam nus e não se envergonhavam” (Gênesis 2.25).

b – Social – Começou a haver discórdia entre o homem e a mulher. E ele joga a culpa pelo erro dela. “Então, disse o homem: A mulher que em deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi. Disse o Senhor Deus á mulher: Que é isso que fizeste? Respondeu a mulher: A serpente me enganou, e eu comi. Então, o Senhor Deus disse à serpente: Visto que isso fizeste, maldita és entre todos os animais selváticos; rastejarás sobre o teu ventre e comerás pó todos os dias de tua vida. Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar. E à mulher disse: Multiplicarei sobremodo os sofrimentos da tua gravidez; em meio de dores darás à luz filhos; o teu desejo será para o teu marido, e ele de governará” (Gênesis 3. 12-16). O apóstolo Paulo diz que “a serpente enganou a Eva com a sua astúcia” (II Coríntios 11.3). Não tenhamos dúvida, a serpente era uma serpente real, que se podia palpar, e ela falava, certamente, em virtude da inspiração de Satanás. Mas Paulo diz que Deus “em breve esmagará debaixo dos vossos pés (nossos) a Satanás” (Romanos 16.20). Que maravilha!

c – Ambiental – O ato do primeiro casal descontrolou a harmonia da Terra, e esta passou a produzir o que é mau. “E a Adão disse: Visto que atendeste a voz de tua mulher e comeste da árvore que eu te ordenara não comesses, maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida. Ela produzirá também cardos e abrolhos, tu comerás a erva do campo. No suor do rosto comerás o teu pão. Até que tornes a terra, pois dela foste formado: porque tu és pó e ao pó tornarás” (Gênesis 3.16-19).
O apóstolo Paulo diz que só quando os filhos de Deus aparecerem na glória final haverá a restauração ambiental do planeta que até agora está sujeito à escravidão. “A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus. Pois a criação está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo geme e suporta angústia até agora” (Romanos 8.19-22). Eis a razão dos desastres ambientais e naturais, a Terra foi afetada pelo primeiro pecado, tudo ficou desajustado, e só com a volta de Cristo haverá também uma restauração ecológica, e tudo voltará à harmonia.

d – Físico/Espiritual – Este foi o maior estrago que a desobediência dos nossos primeiros pais causou: a morte. “Quando ouviram a voz do Senhor Deus, que andava no jardim pela viração do dia, esconderam-se da presença do Senhor Deus, o homem e a mulher, por entre as árvores do jardim. E chamou o Senhor Deus ao homem, e lhe perguntou: Onde estás? Ele respondeu: Ouvi a tua voz no jardim, e, porque estava nu, tive medo e me escondi… Fez o Senhor Deus vestimenta de peles para Adão e sua mulher, e os vestiu. Então disse o Senhor Deus: Eis que o homem se tornou como um de nós, conhecedor do bem e do mal; assim, para que não estenda a mão, e tome também da árvore da vida, e como, e viva eternamente; e o Senhor Deus, por isso, o lançou fora do jardim do Éden, a fim de lavrar a terra de que fora tomado. E, expulso o homem, colocou querubins ao oriente do jardim do Éden, e o refulgir de uma espada que se revolvia, para guardar o caminho da árvore da vida”. (Gênesis 3.8-10;21-24). O Dr. Grudem diz que pelo fato dos seres humanos morrerem “é ótima prova de que Deus os considerava culpados com base no pecado de Adão” (Ibid. pg. 407).

1 – Morte temporal – Agora todos estão sujeitos à dissolução corporal com todas as suas enfermidades e misérias. A morte física é uma realidade da qual ninguém pode escapar. Paulo diz: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens porque todos pecaram” (Romanos 5.12). Realidade cruel!

2 – Morte espiritual – O pecado afetou diretamente a imagem divina no homem, tornou-o estranho a Deus e inteiramente corrupto em sua natureza. Temos uma natureza corrupta. O casal agora se esconde de Deus, e Deus os expulsa do jardim, estava efetivada a separação. A vida espiritual foi perdida, pois Deus afirmara que no dia em que eles comessem daquele fruto morreriam (Gênesis 2.16-17). E essa separação de Deus foi a morte espiritual. Assim, se “todos pecaram” (Romanos 3.23), e se a consequência primária do pecado é a morte espiritual e a separação de Deus, então todos estão separados de Deus e, naturalmente, todos estão mortos “nos vossos delitos e pecados” (Efésios 2.1), esta é a condição do ser humano natural atualmente.
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3 – Morte eterna/segunda morte – João diz: “Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre esses a segunda morte não tem autoridade; …Então a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago do fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo.” Apocalipse 20.6, 14). O pecado também causou a separação eterna entre Deus e todos os impenitentes, estando assim todos debaixo da maldição da eterna condenação. “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos.” (Mateus 25.41). Paulo diz: “…Em chama de fogo, tomando vingança contra os que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus. Estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder”. (II Tessalonicenses 1.8-9).

Entendendo a seriedade do pecado, vamos agora recapitular o que o pecado de Adão e Eva tem a ver conosco.

O pecado herdado.

As Sagradas Escrituras nos ensinam que nós herdamos o pecado de Adão de dois modos: culpa herdada e corrupção herdada.

a . Culpa herdada – Segundo as Sagradas Escrituras somos considerados culpados perante Deus por causa do pecado de Adão. E o apóstolo Paulo nos explica dizendo: “Portanto… por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens porque todos pecaram” (Romanos 5.12). Ao observarmos o contexto, veremos que Paulo não está tratando dos pecados que as pessoas cometem efetivamente no seu dia-a-dia, pois todo o parágrafo (Romanos 5.12-21) trata exatamente da comparação entre Adão e Cristo, portanto quando Paulo diz “assim passou a todos os homens, porque todos pecaram”, ele está dizendo que por meio do pecado de Adão, “todos (os homens) pecaram”. Herdamos em Adão a culpa do pecado. Quando Adão pecou, o Senhor Deus considerou todos os futuros descendentes de Adão como pecadores. Mesmo que ainda não existíssemos, Deus que sabe quer o futuro quer o presente, Ele sabia que iríamos existir e passou a nos considerar culpados em Adão. E ele afirma mais: Ele diz que Cristo morreu “por nós, sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5.8), mesmo que muitos de nós nem existíssemos, mas Ele nos considerou pecadores necessitados de salvação. Adão pecou, e Deus nos considerou tão culpados tanto quanto Adão. Isto se chamar imputar, isto é, “considerar pertencente a alguém, e assim fazer pertencer a esse alguém”.

A doutrina do pecado herdado, é também chamada de “pecado original”. O Dr. Grudem afirma que “quem for usá-la (a expressão ‘pecado original’), precisa lembrar que “pecado” aqui não se refere ao primeiro pecado de Adão, mas à culpa e à tendência pecaminosa com que nascemos. É “original” porque provém de Adão, e é também original porque pertence a nós desde o princípio da nossa existência pessoal; de qualquer modo, a ideia implícita é a do nosso pecado, não de Adão. Análoga à expressão “pecado original” é esta outra: “culpa original”. É esse o aspecto do pecado herdado de Adão, ou seja, a ideia de que herdamos a culpa de Adão” (Ibid. pág. 407).

Salienta-se que não herdamos apenas uma inclinação ou tendência para ao mal, como alguns acham, herdamos, sim, uma natureza pecaminosa que se manifesta em pecados reais e nos faz filhos da ira. Paulo diz: “…segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como também os demais” (Efésios 2.3). Notemos: “por natureza”. Portanto, todos nascemos assim com esta natureza pecaminosa.

Você, agora, poderá perguntar: “mas o que eu fiz para que herdasse a culpa de Adão?”. No primeiro momento não nos parece injusto herdarmos uma culpa dos outros? Afinal de contas, não fomos nós que decidimos pecar, não é mesmo? Então, como explicamos o porquê somos tidos como também culpados? Deus estaria sendo justo? Ora, aqueles que faz este questionamentos, também cometeram voluntariamente inúmeros pecados concretos, efetivos, dos quais Deus também nos considerada culpados, pois Paulo diz que Deus “retribuirá a cada um segundo o seu procedimento” (Romanos 2.6). Ora, se achamos injusto ser culpados por causa de Adão, então devemos achar uma injustiça que o Senhor Jesus tenha morrido em nosso lugar nos representando na cruz. Paulo diz: “ Portanto, como pela desobediência de um só homem muitos se tornaram pecadores, assim também por meio da obediência de um só muitos se tornarão justos.” (Romanos 5.19).

Adão, como nosso representante, pecou, e Deus nos considerou culpados! Mas Cristo morreu em nosso lugar, representante de todos os que nele creem, “por meio da obediência” Deus nos considerou justos! Este é modo eficaz que Deus planejou para que a raça humana fosse salva, pela morte vicária de Seu Filho, Jesus Cristo! Que plano maravilhoso! Deus considerou a raça humana como “um todo orgânico, uma unidade”, tendo como cabeça Adão, e também Deus considera a nova raça eleita, os remidos por Cristo, também “como um todo orgânico, uma unidade representada por Cristo, como cabeça do seu povo” (Grudem, pág. 408).

Uma outra resposta nos é dada pelo Dr. William Barclay comentando Romanos 5.12: “Esta é a ideia da solidariedade. O judeu não se considerava a si mesmo individualmente, senão como parte de uma tribo, de uma família ou nação, separado da qual não tinha identidade real. Assim, é que Paulo ver Adão: não como indivíduo, senão como representante de toda a humanidade; e, como tal, seu pecado foi o de todos os seres humanos”.

Por outro lado, nem todos os evangélicos, concordam entre si, que somos verdadeiramente culpados por causa do pecado de Adão. Os teólogos armínios-wesleyanos, consideram que isso seria uma injustiça da parte de Deus, e tem dificuldades de crer que Paulo em Romanos 5 ensine isso. Observamos isso na famosa “Teologia Cristã”, vol. 3, pág. 109-40, do festejado teólogo nazareno, Dr. H. Orton Wiley, Kansas City. (Temos estes três volumes, como relíquia, em nossa modesta biblioteca já com quase 4 mil volumes espalhados em várias prateleiras e empilhados pelo chão, por falta de espaço físico em nossa casa). No entanto, a maioria esmagadora de evangélicos de todo os matizes, concordam que realmente herdamos uma inclinação pecaminosa, uma natureza pecaminosa de nossos primeiros pais. Não precisamos ser calvinistas ao extremo, necessária e propriamente dito, para crermos assim.

É isso, Adão e Eva eram a humanidade diante de Deus, nossos representantes, é por isso que Paulo diz que em “Adão todos morrem” (I Coríntios 15.22). Suas bênçãos seriam nossas, seu pecado foi o nosso pecado.

b . Corrupção herdada – Assim, o estado de depravação ou corrupção que se seguiu é agora inerente a toda humanidade. Todos nascem com a natureza carnal herdada de Adão. Davi diz: “Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe” (Salmos 51.5). Muitos estudiosos de maneira equivocada, julgam que o que está aqui em evidência é o pecado da mãe de Davi, mas isso não está no texto, pois se dermos uma boa e demorada olhada no contexto, verificaremos que nada ali narrado tem a ver com a mãe da Davi. Vamos olhar novamente o texto: “Compadece de mim, ó Deus… apaga as minhas transgressões… Lava-me completamente da minha iniquidade… conheço as minhas transgressões… Pequei contra Ti…” (Salmos 51.1-4). Davi é honesto, examina o seu passado, que se abate diante da legítima consciência do seu próprio pecado e percebe que ele foi pecador desde o início e que desde tenra idade teve uma natureza pecaminosa. Portanto, nossa natureza humana inclui uma disposição para o pecado.

Mas o Dr. Grudem diz que “isso não significa que os seres humanos sejam todos o mais perversos possível. As restrições da lei civil, as expectativas da família e da sociedade e a condenação da consciência humana (Romanos 2.14-15) funcionam como influências limitantes junto às nossas tendências pecaminosas íntimas” (Ibid. pág. 409). E ele continua, dando-nos melhores esclarecimentos: “Pela ‘graça comum’ de Deus (ou seja, pelo favor imerecido que ele dispensa a todos os seres humanos), as pessoas puderam fazer o bem nos campos da educação, do desenvolvimento da beleza e da destreza nas artes, do desenvolvimento de leis justas e dos atos genéricos de benevolência e bondade humana para com os outros. De fato, quanto mais influência cristã existe na sociedade em geral, mais claramente se vê também a influência da “graça comum” na vida dos incrédulos” (Ibid. pág. 409).

As Sagradas Escrituras dizem que os homens estão mortos espiritualmente, e, por isso, é necessário um novo nascimento para que possam se agradar das coisas de Deus. Isso porque a natureza humana deseja não o que é bom, mas o que é contrário à lei de Deus (Romanos 8.7-8). Além da culpa herdada, que Deus nos imputada por causa do pecado de Adão, também herdamos uma natureza pecaminosa, uma natureza carnal, como consequência do pecado de nossos primeiros pais. A partir de Agostinho, muitos teólogos usam a expressão “pecado original” e às vezes, de “poluição original”. Mas o Dr. Grudem, usa, em vez disso, o termo ”corrupção herdada’, pois parece exprimir com mais clareza a ideia em vista” (Ibid. pág. 408).

Isso porque a natureza humana deseja não o que é bom, mas o que é contrário à lei de Deus. Paulo diz: “Por isso o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeita à lei de Deus, nem mesmo pode estar. Portanto os que estão na carne não podem agradar a Deus” (Romanos 8.7-8). E Paulo nos mostra que “a carne milita contra o Espírito, e o Espírito contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que porventura seja do vosso querer” e em seguida nos dar uma relação completa das obras da carne (Gálatas 5.17-21).

Muitos detalhes poderíamos e necessitam ser acrescentados para um melhor entendimento sobre o pecado e as suas consequências, mas este não é um tratado teológico e sim uma simples recapitulação. Vimos nessas recordações, que as Sagradas Escrituras são claras em atestar a presença do pecado e também nos mostram que toda a raça humana é pecadora por nascimento. Mas, todos sabemos que não somos culpados de pecados apenas por termos nascidos pecadores, mas todos nós também praticamos pecado, erramos muito todos os dias. Este é chamado pecado atual.

Por pecado atual denomina-se todo ato interno ou externo que esteja em conflito com a lei divina. É o ato de afastar-se da lei de Deus, por uma ação humana tanto de conhecimento, como de omissão, incorrendo assim a pessoa em responsabilidade, em culpa
pessoal. É isso que as Sagradas Escrituras chamam de “obras da carne” (Gálatas 5.19-21), “obras das trevas” (Efésios 5.11), “obra do velho homem” (Colossenses 3.9).

Mas não podemos nos esquecer da causa do pecado atual. O pecado atual tem a sua fonte no pecado herdado, em nossa natureza pecaminosa. Assim, a verdadeira causa do pecado atual que provém do interior do ser humano. O Senhor Jesus disse: “O que sai do homem, isto é o que o contamina. Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, a blasfêmia, a soberba, a loucura: Ora, todos estes males vêm de dentro e contaminam o homem” (Marcos 7.2-23). É a natureza pecaminosa, corrompida, que os teólogos chamam de “depravação total”, que não gosto muito desse termo, é o pecado que habita em nós (Romanos 7.17). Por termos esta inclinação para o mal ela se manifesta em nossas obras más no dia a dia.

A conclusão a que chegamos, nesta singela recapitulação, é que é patente nas Sagradas Escrituras, sem sombra de quaisquer dúvidas, a realidade do pecado e as suas consequências. O mal existe e ninguém pode contestar isso. O mal se manifestou no mundo e contaminou-o, bem como ao gênero humano com um todo. Assim, o homem bom criado por Deus caiu, deixou-se enganar pela serpente, e assim levou atrás de si a criação perfeita, pois todo planeta foi afetado por este erro.

O primeiro pecado do ser humano foi transmitido a toda a raça, porque Adão era o representante da humanidade diante de Deus, e assim, após o primeiro pecado todos nós nascemos com a natureza pecaminosa, corrompida, e vendida ao pecado (Romanos 7.7-24). Nesse estado, o ser humano natural é cego para as realidades espirituais (I Coríntios 2.14; II Coríntios 4.4-6), é inimigo de Deus (Romanos 5.8-10), é escravo (João 8.34), é separado de Deus (Isaías 59.1-2), é morto (Colossenses 2.13), não podendo fazer nada para sair desta situação por si só.

Perguntamos: estará tudo perdido? Existirá alguma esperança para o homem, para a raça humana?

Estas e outras respostas, teremos mais adiante quando iremos recapitular algo importantíssima sobre a graça salvadora!

Até lá! Obrigado pela atenção que até agora se nos foi dispensada!

Pr. Barbosa Neto
Fortaleza – CE.

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